Cada vez mais me apercebo de que quanto maior forem as expectativas de alguém face a algo, maior é a desilusão. Não será, então, preferível não ter qualquer expectativa? Se não nos importarmos com o que quer que seja, também não sofremos. Mais vale ser-se indiferente. Às vezes, chego a essa conclusão. Por outro lado, se nos mostramos indiferentes, podemos não conhecer coisas que até poderiam ser boas. Se eu fosse indiferente relativamente à leitura, por exemplo, não tinha a cultura geral que até tenho e não conhecia bons livros escritos por bons autores. Um exemplo simples como este enfatiza a ideia de que a indiferença não será também a melhor via a seguir. Então, que fazer? Já esperei tanto de tantas pessoas que nada me deram, já me preocupei demasiado com pessoas que pelos vistos não valiam o esforço, já ajudei pessoas que mais tarde me viraram as costas, já perdoei quem não merecia… De que valeu? De nada! Por isso, expectativas para quê quando, muitas vezes, são estas que mais fazem sofrer? Mas se não podemos ter expectativas para não sofrermos, então de que vale viver se não esperarmos por algo de que gostamos, se não tivermos, de facto, expectativa relativamente a algo ou alguém?
Mais uma vez, a vida prega-me uma partida: a sua antagónica maneira de ser já não é novidade para mim! Não obtenho qualquer resposta, mais uma vez. Vou-me limitar a viver, com ou sem expectativas, depende das circunstâncias, conforme o meu estado de espírito quiser. Conclusão: não cheguei a conclusão alguma!