Eis uma temática recorrente no meu dia-a-dia. A primeira vez que li sobre este tema foi em Fernando Pessoa, curiosamente, e de imediato me identifiquei com esta dicotomia.
Infelizmente, muitas vezes torna-se difícil separar as duas coisas, mas é algo que tem que ser feito de modo a conseguirmos gerir a nossa própria vida. Não é por acaso que muitas vezes certas pessoas se magoam, pois vivem muito com base nas emoções, esquecendo-se que é igualmente importante racionalizar, do mesmo modo como sentir assume um papel importantíssimo, o que infelizmente também nem sempre acontece (penso que cada vez mais há pessoas que se esquecem de sentir). Ora, o que se verifica, portanto, é que parece haver aqui uma situação antagónica: ora se pode pensar demais e não se sentir de todo, ora se pode sentir apenas, não se pensando de todo e, assim, um equilíbrio tem de ser encontrado: procurar pensar mas também sentir em simultâneo, não se anulando nem um nem outro. Mas claro que nem sempre este equilíbrio é fácil de concretizar e falo por experiência própria. Sou uma pessoa muito sentimentalista (ás vezes, até demais) e quando não o deveria ser sou uma pessoa demasiado racionalista. Como já referi num outro texto meu, embora numa corrente de pensamento diferente, chego mesmo a racionalizar as minhas próprias emoções. Não é contraditório e antagónico?
Infelizmente, tenho um outro aspecto em comum com Fernando Pessoa, ainda no que diz respeito a esta temática, nomeadamente a dor de pensar. Para Fernando Pessoa, pensar dói (Alberto Caeiro diz mesmo que “ pensar incomoda como andar à chuva “). Concordo plenamente com esta ideia: pensar não é para mim de todo uma tarefa suportável, pois ser-se consciente é agonizante. Chego, portanto, a um outro ponto fulcral: consciência vs inconsciência (uma outra temática abordada pelo poeta contemporâneo). Não seria muito mais feliz ter-se plena inconsciência dos factos que nos rodeiam? – questiona Fernando Pessoa. Coloco a mesma pergunta: Não seria? Pelo menos, se fossemos inconscientes não teríamos a noção de certas coisas, não seríamos obrigados a sofrer com a nossa consciência e quem sabe não seríamos felizes vivendo na ignorância. Contudo, do mesmo modo como ser-se consciente torna-se doloroso, ser-se inconsciente não será também um risco? Se não tivermos a consciência do que somos ou do que podemos ser ou do que nos rodeia, não seríamos alvo de críticas? Por algum motivo, quando alguém erra com outra pessoa, a outra pessoa muitas vezes interroga com frustração: Não tens consciência do que fizeste? Logo, não ter consciência pode ser tão mau como ter…
Mais uma vez pergunto: Não é contraditório e antagónico?
A que conclusão chegar, portanto?
Só chego a esta simples conclusão: na vida, tal como há certezas, também há incertezas, interrogações que são colocadas e para as quais não se obtém resposta. Só podemos viver de um modo portanto: procurando encontrá-las; se não as encontramos, temos que saber viver no desconhecido... Sim, o desconhecido é misterioso e assustador mas vistas bem as coisas, já não o é a própria vida?
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