sábado, 10 de dezembro de 2011

Um dia para esquecer


        Entro em casa, fechando com brusquidão a porta. Dirijo-me para o meu quarto, atirando as minhas coisas para cima da cama. De seguida, descalço os sapatos e encaminho-me para a casa de banho. Dispo as roupas, entrando para a banheira. A água morna começa a invadir o meu corpo, e eu suspiro, aliviada. Mantenho-me de olhos fechados, coberta de água, tentando abstrair-me do horrível dia que tivera. Tarefa essa difícil de cumprir.
        Logo pela manhã, tivera o azar de perder o comboio, o que fez com que chegasse atrasada à universidade, o que consequentemente levou à anulação do teste que eu tinha naquela manhã. Por mais que tentasse explicar, o professor não me ouviu, dizendo para inventar uma desculpa melhor. A hora do almoço não podia ter sido pior. Esbarrei com a minha bandeja na bandeja do professor que anulara o meu teste, o que levou a uma discussão por parte deste, que insistia que eu tinha feito de propósito. Depois deste incidente saí para a rua para apanhar ar puro e fresco, mas quase que ia sendo atropelada por um camião. O condutor praguejou de tal modo que, por breves momentos, julguei que os meus ouvidos iam rebentar a qualquer instante. Mas o quase atropelamento era apenas o início das coisas más que, mal eu sabia, iriam acontecer. Quando entrei na sala de aula para ter a minha segunda aula deparei-me com um indivíduo alto, magro e fardado. Era um polícia. Logo que entrei na sala, os olhares de todos os meus colegas caíram sobre mim. Percebi pouco depois que o tal polícia andava à minha procura. Tinha ocorrido nessa mesma tarde um homicídio. O professor que anulara o meu teste tinha sido assassinado, encontrado morto a escassos metros da saída do refeitório onde eu e ele tínhamos estado, poucos minutos depois da discussão que eu e ele tivéramos. O questionário que se precedeu parecia não ter fim. Tive que responder a uma data de perguntas, tendo sido algumas perguntadas mais de uma vez. O polícia ia escrevendo, calculei eu, o que eu ia dizendo, abanando a cabeça afirmativamente à medida que escrevia. De seguida, disse apenas “ Voltarei a contactá-la quando obter novos dados sobre o assunto “. Quando este se foi embora, os olhares dos meus colegas ainda estavam virados na minha direcção. Acabei por não ter essa aula, pois a professora não apareceu. Provavelmente soubera da notícia da morte do seu colega e estaria de luto. Portanto, sendo a última aula do dia, vim logo para casa, para fugir aos olhares dos meus colegas. Como é possível eles pensarem que eu iria assassinar o nosso professor? Aliás, como é que eles podem pensar que eu era capaz de cometer tal acto a quem quer que fosse?
        O banho não estava a ajudar. Nada poderia ajudar, enquanto este assunto não fosse esclarecido. Fechei a torneira, enrolei-me na toalha, sequei-me, peguei em roupas novas e vesti-me. Ia pôr os auscultadores para ouvir um pouco de música, mas um enorme estrondo fez-me pular de susto, sobressaltada. Saí do quarto e dirigi-me à cozinha, pois o barulho parecia ter vindo de lá. Quando cheguei à cozinha, dei um grito espantado. O meu professor, aquele que supostamente morrera, encontrava-se na minha cozinha, debruçado sobre o chão, com a louça lavada partida em pedaços, quer pratos, quer copos.

- Olá Margarida! – exclamou o meu professor, desviando o olhar da louça partida para mim, levantando-se do chão.


       Eis uma história puramente ficcional... Não percam a continuação, em breve publicada no blog...


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