Os dias passam e os deveres continuam. São inúmeras as tarefas para realizar e a pressão é a minha maior inimiga nestas alturas. Pressão para passar às cadeiras da faculdade e dessa forma acabar a licenciatura, pressão para arranjar um emprego. Em suma, é a pressão de que um caminho tem que ser traçado para que a nossa vida seja estável. Alguns já têm um caminho a seguir, já sabem o que querem fazer da vida, outros ainda buscam…
Eu situo-me num meio termo: umas vezes estou a balançar para o lado dos que já sabem o que vão fazer, outras vezes perco-me, pois quero fazer tudo e nada ao mesmo tempo. Quero fazer tudo, porque gosto de imensa coisa; quero fazer nada, porque sou um ser humano e como qualquer outro, às vezes, faltam-me as forças. A vida é uma luta. Senão lutarmos por aquilo que queremos, quem lutará por nós? É disso que me tento lembrar quando me sinto perdida. Felizmente, acabo por encontrar sempre uma saída, acabo sempre por me encontrar.
Contudo, não deixa de ser difícil quando me apercebo de que estou perdida novamente. Ou estou perdida no passado, em memórias tão longínquas mas tão enraivecidas em mim, ou estou perdida no futuro, este também tão longínquo mas que todos os dias chama por mim, porque embora o meu futuro esteja longe, tenho que o planear. Não é por isso que estudamos? Para termos um bom futuro?
Já ouvi tantas vezes e vindo de pessoas diferentes que penso demais. Infelizmente, concordo. Acho que penso demais. Penso em algo e passado algum tempo estou a pensar no mesmo, uma e outra vez. Por isso costumo dizer que sou uma pessoa que está em círculos. Não frequento os mesmos lugares, ando, mexo-me, corro, ou seja, não estou sempre parada. O meu estar em círculos é no que diz respeito à minha racionalidade. É irónico. Considero-me uma pessoa mais emocional que racional. Contudo, racionalizo as minhas próprias emoções. Quando digo que sou um ser complexo não minto. Sou um ser simples mas inquestionavelmente complexo.
Outra ironia: eu não vejo o mundo a preto e branco. Não acredito no que se diz de que as pessoas são aquilo que fazem. Acho sim que a mente humana é tão complexa e que as coisas não são assim tão lineares. Lá porque alguém age mal não quer dizer que seja má pessoa. Repito: nem tudo é a preto e branco. Eu sempre costumei e costumo ver o cinzento, porque o cinzento está lá; muitas pessoas é que não o vêem. A ironia é que eu penso assim mas depois no que toca a mim mesma quero ver as coisas a preto e branco. Não vejo nos outros mas vejo em mim mesma. Há uns tempos atrás, uma pessoa que me ajudou imenso disse que isso acontece porque me preocupo demasiado com a opinião dos outros e vejo-me a preto e branco porque tenho receio de que os outros me vejam assim também. Portanto, o que eu faço basicamente é ver-me daquele modo que tenho medo que os outros me vejam. Mais uma vez o preocupar-me demasiado, o pensar demasiado no que os outros vão dizer ou pensar. Mas essa pessoa também me fez chegar a uma outra conclusão: “ não dá para agradar a gregos e a troianos “. E durante imenso tempo, demasiado tempo, aliás, eu achava que era meu dever agradar a todas as pessoas só para essas pessoas não se chatearem e correr tudo bem. Mas infelizmente há sempre pessoas estúpidas que vão apontar o dedo, faça o que eu fizer. Se fizer mal, apontam o dedo. Se fizer bem, apontam o dedo. Por isso, as pessoas podem dizer ou pensar o que quiserem, porque simplesmente há pessoas atrasadas mentalmente que nunca irão mudar. Pelo menos isso aprendi. Portanto, não me vou atormentar mais com os comentários de pessoas que nem valem a pena o trabalho de eu estar preocupada com o que dizem ou pensam.
Agora só me falta aprender a separar a racionalização extrema de que sou alvo. Uma coisa é pensar antes de agir, porque as pessoas têm que pensar no que fazem e dizem, mas outra coisa é a pessoa entrar numa espécie de curto-circuito em que são tantos os pensamentos sem sentido que a pessoa até fica desgastada! E todo este desgaste traz o quê? A tal palavra que mencionei há pouco: pressão! Só me resta continuar a lutar para encontrar-me, para encontrar o meu caminho e segui-lo, lutando também contra os meus próprios fantasmas, quer estes estejam mascarados numa instituição chamada faculdade, quer estejam mascarados de futuro, quer digam respeito à minha exacerbada racionalização que me leva a uma exacerbada emoção!
Cada vez mais me identifico com Fernando Pessoa e a sua " dor de pensar... "
Todos nós,a nossa essência é nada mais do que um pensamento, uma ideia concretizada. Pensar e racionalizar emoções é negar a nossa natureza e a nossa necessidade do Onírico pra nos mantermos ligados á maquina da vida.
ResponderExcluirAMO TEEEEEE <3